Faça-se a luz
Infelizmente para nós, fotógrafos amadores e profissionais, não somos o Deus do Antigo Testamento e não podemos criar luz a partir das nossas palavras. A luz é o elemento essencial da fotografia, e ainda assim temos que nos render aos seus caprichos, acordando de madrugada para capturá-la na sua calidez matinal, ajustando flashes e rebatedores para que ela atenda à nossa imaginação e a tocando com fotômetros a fim de avaliar o seu humor.
Gostamos de acreditar que nossas fotografias são nossas criações. Entretando, não somos pintores. Não exercemos, sobre o mundo visto pela câmera, o controle que gostaríamos. Quem pinta, de fato, é a luz. A única coisa que podemos fazer é reconhecer suas cores, as curvas que ela faz em torno dos objetos e sua nêmesis — a sombra — ambas sempre presentes, irrenconciliáveis. O que podemos fazer, então, é nos curvar aos seus pincéis naturais, recortar suas criações com a câmera e, humildemente, agradecer.
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Se você for a um show musical nos dias de hoje, é provável que, entre você e o palco, haja centenas de pequenas telas acesas. São câmeras digitais e telefones celulares, no alto das mãos do público presente na plateia ou na pista, fotografando e filmando cada instante. Tenho um tio que mora há cerca de 20 anos em Portugal. Em visita ao Brasil, foi ao aquário municipal de São Paulo. Ele ficou impressionado em ver como as pessoas pouco olhavam para os peixes; em vez disso passavam de atração a atração com câmeras em punho, apenas fotografando. A hoje é vista através de telas de cristal líquido — e não estamos falando dos filmes e da televisão, e sim daquilo que se passa bem na frente das pessoas.
Qual seria a motivação para esse tipo de comportamento? Pode-se imaginar que as pessoas queiram se agarrar àquele momento único, especial. Fotografar significa, de certa forma, prolongar o momento no tempo. No entanto, que momento é esse que não foi vivido, apenas
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