Flusser e o mito da criatividade
Poderíamos tomar “O Universo das Imagens Técnicas: Elogio da Superficialidade” (São Paulo, Annablume) e abordar diversas questões que se relacionam com a fotografia nesse profético livro de filosofia escrito por Vilém Flusser em 1985. Estão presentes a questão da superficialidade das imagens técnicas (caracterizadas na fotografia, televisões, computadores, filmes), a da crescente entropia de uma sociedade que se pulveriza e abandona os valores já inúteis para o nosso tempo e dificuldade em imaginarmos um mundo sem as estruturas que estão se desintegrando. Por conta de todas essas questões, considero o ensaio, sucessor de “Filosofia da Caixa Preta“, uma leitura obrigatória não só para aqueles que querem entender melhor o papel da fotografia, mas também alguns aspectos da sociedade atual.
No entanto, achei interessante abordar um aspecto do livro estritamente ligado à produção de imagens dentro do contexto de comunicação em massa e do mundo conectado no qual vivemos. Na página 104, dentro do capítulo “Criar”, o autor argumenta contra um dos mitos em relação à produção cultural ainda muito
leia maisOs ônibus de Ivan de Almeida
No texto sobre a fotografia impressionista, a definimos como o resultado de uma operação pouco convencional da câmera, usando as possibilidades do programa em situações diversas nas quais elas são costumeiramente utilizadas, levando a imagens que se configuram como impressões, sem a estrutura convencional de congelamento, verossimilhança e legibilidade. Quando entramos nesse campo, será inevitável lidar com dois problemas centrais: tudo que é feito pela câmera é fotografia? e qual o papel da representação na consolidação de uma imagem como fotografia?
Não pretendo me aprofundar nessas questões nesse momento. Ao invés disso, prefiro falar sobre uma série de fotos que transita nesse campo e resolve bem esses problemas: Ônibus, do Ivan de Almeida. Ao contrário da maior parte da produção do autor, nessa série há uma abordagem em que a legibilidade e a composição precisa são diminuídas em função do movimento e do acaso. Em vez de um planejamento minucioso e um clique que concretiza a ideia, essa série, ao ser produzida, precisou de mais repetições, quase
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