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Fotografia impressionista
Recentemente, fiz um pequeno e despretensioso ensaio fotográfico no qual explorei alguns aspectos que têm me atraído na fotografia, como o movimento, o limite da legibilidade e o a estética do preto-e-branco. Foram fotos feitas com uma câmera reflex digital, lente 18-55 com pequena abertura (em torno de f/32) e velocidade baixa, em torno de 1/8. A velocidade do obturador teve como objetivo levar a uma captura marcada pelo movimento e a abertura foi a necessária para equilibrar a entrada de luz num dia claro, com ISO baixo (o menor da minha câmera, 200, que eu acho alto demais).
Um efeito curioso da abertura extremamente pequena foi que as sujeiras no sensor da câmera ficaram aparentes. E como tem sujeira ali! Mas achei que o aspecto combinou com o resultado pretendido, e em apenas uma foto removi essas marcas no pós-processamento. Afinal de contas, isso também não deixa de ser uma certa influência do acaso, sempre presente na fotografia. Converti os RAWs já em PB, usando o misturador de canais para levar ao resultado que queria, e usei o editor de imagens para correções adicionais de contraste através de curvas.
O que acho interessante, no entanto, não são as questões técnicas, e sim as de linguagem suscitadas a partir do momento em que mostrei as imagens para alguns conhecidos e na internet.
Como é possível perceber, há uma espécie de continuum entre mais ou menos legibilidade. As fotos mais legíveis são mais unânimes, as pessoas tendem a gostar. Já as menos legíveis provocam uma reação mais diversificada. Há quem julgue o conceito interessante, há quem não entenda, há quem condicione o seu valor apenas dentro do ensaio e não como fotografias isoladas. Esse é um ponto interessante de se mexer pois a fotografia foi pensada para ser extremamente legível, clara e semelhante à realidade. Não obstante, é possível, com a câmera, fazer coisas fora desse escopo. Pode-se questionar se isso é mais ou menos fotografia, mas me agrada muito a ideia de usar a câmera como uma máquina de produzir impressões, tanto quanto de produzir imagens “reais”.
Vejamos essa ótima foto do Gustavo Gomes:
Não há problemas de legibilidade aqui, a cena é perfeitamente compreensível. Mas a fotografia é marcada por vazamentos e arranhões que apontam para o processo fotográfico (assim como o movimento e as sujeiras da primeira série). Ou seja, opta-se por utilizar a câmera de uma forma diversa à tida como ideal. Acredito que esse seja um dos caminhos para uma construção criativa no qual o fotógrafo de fato usa o equipamento como ferramenta e não somente se submete a ele. Há muitos outros, claro, mesmo dentro daquilo que é tido como fotografia tradicional. Mas quando fazemos fotos que são apenas um eco do real, um leve traço, uma essência, não estaríamos fazendo uma espécie de fotografia impressionista?
Sobre esta entrada
Você está lendo “Fotografia impressionista,” uma entrada do Câmara Obscura
- Publicada:
- 10 Jan 2010 / 11:06
- Autor:
- Rodrigo F. Pereira
- Categoria:
- Fotos e séries












8 Comentários
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