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Os ônibus de Ivan de Almeida

No texto sobre a fotografia impressionista, a definimos como o resultado de uma operação pouco convencional da câmera, usando as possibilidades do programa em situações diversas nas quais elas são costumeiramente utilizadas, levando a imagens que se configuram como impressões, sem a estrutura convencional de congelamento, verossimilhança e legibilidade. Quando entramos nesse campo, será inevitável lidar com dois problemas centrais: tudo que é feito pela câmera é fotografia? e qual o papel da representação na consolidação de uma imagem como fotografia?

Não pretendo me aprofundar nessas questões nesse momento. Ao invés disso,  prefiro falar sobre uma série de fotos que transita nesse campo e resolve bem esses problemas: Ônibus, do Ivan de Almeida. Ao contrário da maior parte da produção do autor, nessa série há uma abordagem em que a legibilidade e a composição precisa são diminuídas em função do movimento e do acaso. Em vez de um planejamento minucioso e um clique que concretiza a ideia, essa série, ao ser produzida, precisou de mais repetições, quase num processo de tentativa e erro. Mas não há outra forma de trabalhar quando o acaso é componente vital do processo.

Mas porque a tentativa e erro é necessária? O que o autor buscava? O fundamental dessa série é que há um grande equilíbrio entre o que é produzido pelo método mais solto e a representatividade. Há movimento, as imagens são fluidas, mas em nenhuma momento se perde a legibilidade, a possibilidade de identificação do que há na foto. A representação, que á pedra angular da fotografia  para o Ivan, não foi perdida.

Há dois grandes motivos pelos quais a série me agrada. O primeiro, a partir do que já foi falado, é essa boa resolução, através da prática, das questões colocadas no início do texto. As imagens são eloquentes em relação aos limites da fotografia, da experimentação e da representatividade. O outro motivo é que eu tive a chance de vê-las ampliadas, em papel, num ótimo bate-papo com o Ivan no Rio. Impressas, elas são ainda mais marcantes e servem para lembrar de que as boas fotografias só se realizam por completo enquanto objetos, de preferência em grandes formatos.

F0tografias: © Ivan de Almeida. Todos os direitos reservados.


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