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	<title>Câmara Obscura &#187; Equipamento fotográfico</title>
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	<description>Artigos, notícias e reflexões sobre fotografia</description>
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		<title>Câmeras viraram &#8220;gadgets&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 12:48:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo F. Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há dez anos atrás, quando a fotografia digital começou a se tornar uma realidade para o mercado, as câmeras — e consequentemente as fotos produzidas por elas — ainda eram muito inferiores às de filme, no que se refere à qualidade. Lembro de usar, nessa época, durante a minha graduação, uma Sony Mavica que gravava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há dez anos atrás, quando a fotografia digital começou a se tornar uma realidade para o mercado, as câmeras — e consequentemente as fotos produzidas por elas — ainda eram muito inferiores às de filme, no que se refere à qualidade. Lembro de usar, nessa época, durante a minha graduação, uma <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sony_Mavica" target="_blank">Sony Mavica</a> que gravava imagens de 640&#215;480 pixels em um disquete. Ainda tenho algumas fotos daquela época e vejo que são do nível de fotos de celulares de três ou quatro anos atrás.</p>
<p>Pois bem, a partir desse momento, a fotografia digital evoluiu rapidamente. Em cinco anos, já havia atingido um padrão de qualidade que permitia substituir o filme na maior parte das aplicações. Os fabricantes, durante esse período, concentraram-se principalmente em aumentar a resolução, que era a maior deficiência das câmeras digitais, mas também trabalharam no sentido de fornecer arquivos com mais latitude, menos ruído e diversos formatos.</p>
<p>Chegou-se, então, a um ponto em que as câmeras digitais chegaram num patamar que, para a grande maioria dos usuários, era satisfatório. Com uma câmera de 8 megapixels é possível fazer boas ampliações em quase todos os formatos mais utilizados, há um bom nível de captura de detalhes, cores e luzes, com toda a praticidade do digital. A partir daí, para o consumidor comum, não se justificaria mais o desenvolvimento em termos de aumento de resolução e melhora da qualidade de imagem (embora isso sempre seja justificável para aplicações profissionais ou para maníacos por equipamentos).</p>
<p><img src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/07/SDG.jpg" alt="" align="right" />O que vemos, no momento, é justamente uma guinada no desenvolvimento dos equipamentos de uso amador. Não se fala mais em câmeras com mais resolução, mais qualidade ou melhor para fotos com pouca luz. Temos, em vez disso: câmeras que fotografam sozinhas (como a <a href="http://camaraobscura.fot.br/2009/08/07/o-party-shot-da-sony-fotografia-totalmente-automatica/" target="_self">Sony Party Shot</a>), que fazem panorâmicas automaticamente, que possuem visor frontal para que se possa tirar &#8220;autofotos&#8221; melhores, que filmam em alta definição, GPS,<em> wi-fi</em>, entre muitos outros &#8220;diferenciais&#8221; do mercado. Torna-se claro, então, que os fabricantes estão buscando agregar valor a seus produtos oferecendo recursos supérfluos, que pouco têm a ver com a fotografia em si.</p>
<p>O que se pode concluir ao observar esse movimento é que até pelas atitudes dos fabricantes, fica claro que você não precisa de uma nova câmera, a menos que você esteja pretendendo mudar de categoria (por exemplo, trocar uma compacta por uma reflex). Se não for o caso, a sua câmera digital, mesmo que tenha lá seus três ou quatro anos, já faz muito bem aquilo a que se propõe: tirar fotos. Câmeras mais novas oferecerão muito pouca diferença na qualidade das imagens, embora venham com uma série de recursos adicionais embutidos. Ou seja, elas valem a pena apenas se você é um louco por <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gadget" target="_blank">gadgets</a></em>, mas não se justificam para alguém que queira apenas fotografar e aperfeiçoar a sua fotografia.</p>
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		<title>Exemplo da diferença no uso de um filtro polarizador</title>
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		<pubDate>Sun, 23 May 2010 17:44:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo F. Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os polarizadores são filtros fotográficos que, rosqueados na frente da lente, permitem apenas a passagem de luz polarizada. Na prática, o filtro tem duas aplicações bastante comuns: produzir aquele céu azul saturado e profundo ou remover reflexos de luzes e vidros. Para saber mais sobre toda a física envolvida nesse processo, você pode consultar a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os polarizadores são filtros fotográficos que, rosqueados na frente da lente, permitem apenas a passagem de luz polarizada. Na prática, o filtro tem duas aplicações bastante comuns: produzir aquele céu azul saturado e profundo ou remover reflexos de luzes e vidros. Para saber mais sobre toda a física envolvida nesse processo, você pode consultar a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Polarizer" target="_blank">página da Wikipedia</a> em inglês — mas não bastará ter apenas ter conhecimento do idioma: será necessário também estar acostumado com explicações da física, mais especificamente da ótica.</p>
<p>Aos fotógrafos, no entanto, interessam as suas aplicações. No entanto, há muitas situações além das comumente usadas nos quais o polarizador pode fazer diferença. Isso porque sempre parte da luz de qualquer fonte pode ser filtrada a fim de mudar a característica da imagem. Sob a luz direta do sol, por exemplo, há sempre uma &#8220;aura&#8221; esbranquiçada de luz não polarizada que ameniza a saturação dos objetos. O polarizador filtra esses raios, preservando a luminosidade e revelando a cor sob essa aura. Veja por exemplo as duas fotos abaixo, feitas com as mesmas configurações na câmera. Apesar da diferença de enquadramento, é possível ver as variações no brilho e na saturação.<span id="more-1000"></span></p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/05/IMGP7754b.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1002" title="IMGP7754b" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/05/IMGP7754b.jpg" alt="" width="500" height="336" /></a></p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/05/IMGP7749b.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1001" title="IMGP7749b" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/05/IMGP7749b.jpg" alt="" width="500" height="332" /></a></p>
<p>Ambas as imagens receberam as mesmas configurações na conversão do arquivo RAW. A primeira está sem o filtro, enquanto na segunda o polarizador foi utilizado de forma a remover totalmente os reflexos. Repare que a principal diferença é no cabelo e nas plantas, que perderam o brilho mas mantiveram a saturação. A primeira foto (não-polarizada) parece mais &#8220;natural&#8221;, já que como não temos filtro no olho, percebemos a luz com o brilho esbranquiçado capturado normalmente pela câmera. Mas a segunda foto mostra que que o polarizador pode ser usado, com efeitos marcantes, até mesmo em retratos, já que não altera apenas a cor do céu e os reflexos do vidro e da água, mas a luz de forma geral.</p>
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		<title>Ave Holga</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 11:20:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo F. Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Equipamento fotográfico]]></category>
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		<description><![CDATA[A onda das Toy Cameras persiste, com cada vez mais adeptos de um tipo de fotografia que vai contra e tendência tecnológica da fotografia digital e sem defeitos que os fabricantes de câmeras convencionais oferecem atualmente. O uso das &#8220;câmeras de brinquedo&#8221; geralmente está associada a uma fotografia compromissada com aspectos distintos, e por isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A onda das Toy Cameras persiste, com cada vez mais adeptos de um tipo de fotografia que vai contra e tendência tecnológica da fotografia digital e sem defeitos que os fabricantes de câmeras convencionais oferecem atualmente. O uso das &#8220;câmeras de brinquedo&#8221; geralmente está associada a uma fotografia compromissada com aspectos distintos, e por isso faz uso das características comuns a esses equipamentos: baixa nitidez e aberrações cromáticas por conta das lentes de plástico, vazamentos de luz, duplas exposições etc.</p>
<p>Entre os modelos mais cultuados está a Holga 120, uma médio formato  que produz quadros de 56mm x 56mm, tem foco manual baseado em 4 posições fixas e seleções limitadas de abertura e tempo de exposição, variando de acordo com o modelo da câmera. O mais comum é que a lente tenha o diafragma fixo em f/8 e o obturador funciona em torno do 1/100 de segundo.</p>
<p>As principais críticas que vejo em relação às Holgas e similares feita pelos fotógrafos mais conservadores é que o seu uso não passa de um modismo é que o emprego dessas câmeras é a busca por um efeito fácil, pronto e vazio. Se é um modismo ou uma prática que veio para ficar, nas proporções em que está disseminada hoje, só o tempo dirá. E, de fato, as Holgas produzem imagens com um característica específica. Mas até aí, quando procuramos uma lente que seja extremamente nítida, também estamos procurando uma caraterística específica. Ou quando escolhemos um tipo específico de filme, de filtro ou aplicamos um recurso num programa de edição de imagens. Não é o efeito em si que é vazio ou significativo: é a coerência entre a característica técnica e o &#8220;discurso&#8221; fotográfico que dará sentido à escolha do equipamento. Procurar uma câmera que vaza luz ou uma lente com ótica perfeita é a mesma coisa quando não se sabe o que se fazer com uma ou outra.</p>
<p>As Holgas e suas  similares têm, no entanto, uma vantagem. A fotografia como um todo é apenas um efeito, uma ilusão. É possível produzir fotografias cujos aspectos técnicos criam uma ilusão mais bem feita (lentes com alta qualidade ótica, nitidez, sensores com cores fidedignas etc.) ou pode-se deixar de lado essa preocupação e ter uma produção que mostra claramente que a fotografia é apenas um processo de interpretação. Ao propiciar isso, a Holga liberta o fotógrafo das amarras com a &#8220;realidade&#8221; e permite que ele dialogue com o processo, com o aparelho e com as suas próprias intenções. Cada vez mais as imagens dominam o mundo, e a escolha é entre apenas deixar-se hipnotizar por elas ou olhar para a forma como são feitas, coisa que é mais fácil com as toy cameras. Vejamos, então, alguns diálogos imagéticos com as Holgas (clique para ver maior).</p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/3406942010_0df67ec4cf_o.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-864" title="Grow" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/3406942010_0df67ec4cf_o-300x298.jpg" alt="Holly Northrop" width="300" height="298" /></a><br />
<a href="http://www.flickr.com/people/holly_northrop/" target="_blank">Holly Northrop</a></p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/3382228840_d99492f6d4_o.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-863" title="One Block West" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/3382228840_d99492f6d4_o-300x292.jpg" alt="Holly Northrop" width="300" height="292" /></a><br />
<a href="http://www.flickr.com/people/holly_northrop/" target="_blank">Holly Northrop</a></p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/3045111909_77d0c876fb_o.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-862" title="The Cake Lady" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/3045111909_77d0c876fb_o-300x296.jpg" alt="Holly Northrop" width="300" height="296" /></a><br />
<a href="http://www.flickr.com/people/holly_northrop/" target="_blank">Holly Northrop</a></p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/2931552657_17ce4db4df_b.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-861" title="&amp;" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/2931552657_17ce4db4df_b-295x300.jpg" alt="santacroce" width="295" height="300" /></a><br />
<a href="http://www.flickr.com/people/voodoox/" target="_blank">santacroce</a></p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/2584915190_26cb1e1c84_o.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-860" title="mise-en-scene" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/2584915190_26cb1e1c84_o-295x300.jpg" alt="Reinis Traidas" width="295" height="300" /><br />
</a><a href="http://www.flickr.com/people/reinis/" target="_blank">Reinis Traidas</a></p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/384261550_58fa06481e_b.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-859" title="The Kiss" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/384261550_58fa06481e_b-291x300.jpg" alt="Stephanie Carter" width="291" height="300" /></a><br />
<a href="http://www.flickr.com/people/stephcarter/" target="_blank">Stephanie Carter</a></p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/245563376_e4cb80e38b_b.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-858" title="Unicyclist" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/245563376_e4cb80e38b_b-300x273.jpg" alt="Scout Seventeen" width="300" height="273" /></a><br />
<a href="http://www.flickr.com/people/tenderisthebridge/" target="_blank">Scout Seventeen</a></p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/49013800_2a69c6b3bc_b.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-857" title="Swimming" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2010/02/49013800_2a69c6b3bc_b-298x300.jpg" alt="Laura Burlton" width="298" height="300" /></a><br />
<a href="http://www.flickr.com/people/lauraburlton/" target="_blank">Laura Burlton</a></p>
<p>Todas as imagens que ilustram esse texto foram utilizadas sob licença Creative Commons.</p>
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		<title>As digitais de fato têm menor latitude? E daí?</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 12:47:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo F. Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Didáticos e informativos]]></category>
		<category><![CDATA[Equipamento fotográfico]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre ouvi dizer que uma das deficiências das câmeras digitais em relação ao filme seria a menor latitude de exposição. Uma vez que eu não sou um expert técnico nem me interessa entender essa questão através da leitura de gráficos e fórmulas matemáticas, vou abordar o problema por uma perspectiva prática e subjetiva. Estou considerando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre ouvi dizer que uma das deficiências das câmeras digitais em relação ao filme seria a menor latitude de exposição. Uma vez que eu não sou um expert técnico nem me interessa entender essa questão através da leitura de gráficos e fórmulas matemáticas, vou abordar o problema por uma perspectiva prática e subjetiva.</p>
<p>Estou considerando latitude como a faixa de luminosidade em que há captura de detalhes pela câmera, ou seja, em que se percebem gradações de sombras, sem áreas de estouro ou sombra completos. Em um programa de edição de imagens, pode-se optar por obter informações da foto na passagem do mouse. Áreas em que os canais aparecem como 0, 0 e 0 ou 255, 255 e 255 estão fora da latitude da câmera.</p>
<p>Diz-se, então, que as câmeras digitais tem uma latitude pequena, o que significa que em cenas com uma variação muito grande de luminosidade, diversas áreas aparecerão como sombras ou estouros completos, reduzindo o nível de detalhes observados. No entanto, sempre tive a impressão de que isso não seria uma verdade absoluta, considerando a fotografia em RAW.</p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2009/12/IMGP6827.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-782" title="IMGP6827" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2009/12/IMGP6827.jpg" alt="" width="500" height="749" /></a></p>
<p>Tomemos como exemplo a imagem acima. Fiz essa foto numa situação de contraste bastante alto. Sol de verão quase a pino e diversas áreas de sombra. Com ajustes conservadores na conversão do RAW, temos plena legibilidade tanto na área de sombra quanto na área de luz.  Da área central para a parte ensolarada, havia uma diferença de cerca de 6 pontos de luz, bem administrados pela máquina. Houve perda de detalhes nas àrvores do lado esquerdo, ao fundo e no carro branco a direita. Ambos ficaram fora da faixa em que a câmera conseguia capturar detalhes. Provavelmente a variação de luz de uma dessas áreas para a outra superaria os 10 pontos.</p>
<p>A questão é: como seria se eu tivesse mais latitude? Se fosse o caso, a câmera teria que espremer mais gradações de luz dentro do espectro de 255 variações para cada canal de cor. E de fato temos essa latitude: podemos, na conversão do RAW, ganhar detalhes nas áreas de sombras e altas luzes. Ou seja, a câmera tem capacidade de gerar arquivos com ainda mais flexibilidade do que o apresentado acima. O problema é que uma imagem com maior latitude e mais detalhes sairia com contraste mais baixo, como a versão seguinte:</p>
<p><a href="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2009/12/IMGP6827bc.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-783" title="IMGP6827bc" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2009/12/IMGP6827bc.jpg" alt="" width="500" height="749" /></a></p>
<p>Percebe-se claramente o ganho de detalhes, especialmente nas áreas mais escuras. No entanto, a foto ficou com um aspecto artificial e desbotado, sem graça. Esse ganho pode ser útil e interessante em algumas aplicações específicas, como fotos de paisagens. Mas no geral, não é interessante. Isso me leva a pensar que as câmeras digitais têm sim uma boa latitude quando usamos RAW — e a máquina em questão é uma velhinha e simplória K100D. Contudo, essa latitude extra geralmente é descartada por uma questão estética, de aspecto natural da cena e do impacto através do contraste. Adicionar contraste, que é uma prática comum, significa, de certa forma,<em> diminuir</em> a latitude. Será que faz sentido, então, reclamar da suposta falta de latitude das digitais, se essa falta não é tão grande assim e se mesmo o que já se tem hoje não costuma ser usado?</p>
<p>Essa é a minha visão extremamente prática. Acho bem provável que possam ser citadas situações em que essa suposta maior latitude seja extremamente útil, bem como sejam mostrados trabalhos em que se pode conjugar maior latitude com uma boa resolução estética. E há também todas as questões técnicas sobre as quais tenho pouco conhecimento para abordar, portanto esse texto fica totalmente aberto (e dependente) para comentários  de quem puder contribuir com essas questões.</p>
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		<title>Polaroid: linguagem agonizante</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 12:06:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo F. Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Equipamento fotográfico]]></category>

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		<description><![CDATA[A respeito do post sobre o The Impossible Project, publicado no blog do 508: o projeto em questão é uma iniciativa para reviver os filmes fotográficos instantâneos, depois que a Polaroid abandonou a fabricação desse tipo de produto em 2008. Sempre que esse assunto é trazido à tona, fala-se na viabilidade econômica, na necessidade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A respeito do post sobre o <a href="http://www.the-impossible-project.com/">The Impossible Project</a>, publicado no <a href="http://fotoclubef508.wordpress.com/2009/08/15/the-impossible-project/" target="_blank">blog do 508</a>: o projeto em questão é uma iniciativa para reviver os filmes fotográficos instantâneos, depois que a Polaroid abandonou a fabricação desse tipo de produto em 2008. Sempre que esse assunto é trazido à tona, fala-se na viabilidade econômica, na necessidade de adequar o produto à era digital e que o filme instantâneo morreu porque o que se consumia não eram as fotos, e sim a possibilidade de vê-las logo após a captura.</p>
<p>Isso tudo pode estar correto, mas para os fotógrafos, especialmente aqueles que utilizavam as Polaroids como uma forma de expressão, o que morreu foi toda uma linguagem fotográfica. A moldura branca texturizada, o formato quadrado (embora existam câmeras instantâneas que produzem fotos retangulares), cores características e, sobretudo, a tendência a uma atitude fotográfica mais descompromissada, quase como um precedente do movimento Lomo que surgiu há alguns anos.</p>
<p><span id="more-736"></span><a href="http://www.flickr.com/photos/polaroidjesus/"><img class="alignnone" title="03.16.07 - gregory mc." src="http://farm1.static.flickr.com/188/423527234_6354e1d2a8.jpg" alt="" width="410" height="500" /><br />
gregory mc</a></p>
<p>A fotografia instantânea se diferencia de qualquer outra, seja analógica ou digital, por ser nada mais e nada menos do que um objeto. Não há negativos, não há arquivos digitais. Apenas uma foto pronta, sem intermediários, sem ajustes, sem correções, sem edição. Nem na fotografia digital temos esse caminho realizado de forma tão rápida e direta. A realização concreta da imagem torna as Polaroids testemunhas implacáveis da vontade do fotógrafo, ao mesmo tempo em que potencializa a imagem como possibilidade artística, ao trazê-la &#8220;viva&#8221; e emoldurada instantaneamente.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/ashleysauers/"><img class="alignnone" title="Ashley Sauers" src="http://farm1.static.flickr.com/165/329689252_c755b5b5d1.jpg" alt="" width="409" height="500" /></a><br />
Ashley Sauers</p>
<p>Há também projetos relevantes que usam as fotografias instantâneaas, como o FOP@West, realizado por um grupo que oferece às crianças do oeste da China seus primeiros retratos: Polaroids.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/randomix/"><img class="alignnone" title="Girl with her Polaroid - Ran Phang" src="http://farm2.static.flickr.com/1187/529630426_56f074283e.jpg" alt="" width="332" height="500" /></a><br />
Girl with her Polaroid &#8211; Ran Phang</p>
<p>Nem tudo ainda está perdido. Além da iniciativa do The Impossible Project, há ainda a Fujifilm que, surpreendentemente, tem sido agressiva na manutenção de suas principais linhas de filme e incentivado a produção fotográfica analógica, como faz com o site <a href="http://choose-film.com/" target="_blank">Choose Film</a>, por exemplo. Ainda é possível comprar filmes instantâneos no site americano ou <a href="http://www.fujilab.co.uk/catalog/film-instant-c-30_34.html" target="_blank">inglês</a>, além do próprio formato de fotografia instantânea da Fuji, o <a href="http://www.fujifilmusa.com/products/professional_photography/film/fujifilm_instant_films/instax/index.html" target="_blank">Instax</a>.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/mamako_k/"><img class="alignnone" title="on the cabinet in the hall - mamako7070" src="http://farm4.static.flickr.com/3213/2371418202_b691b695b7.jpg" alt="" width="412" height="500" /></a><br />
on the cabinet in the hall &#8211; mamako7070</p>
<p>A fotografia, especialmente a fotografia como forma de expressão, antes de ser uma questão técnica ou econômica, é uma questão de linguagem. É claro que, como qualquer tipo de atividade de mercado, serão as questões técnicas e comerciais que ditarão o que é ou não possível fazer. Mas talvez seja interessante olhar para as mudanças em termos de potencialidades que são perdidas ou ganhas, sem uma visão maniqueísta de que a fotografia digital é uma panacéia ou que o filme que é fotografia de verdade. Quando vejo essas fotos fantásticas feitas com as câmeras instantâneas, penso que, se é difícil impedir que elas acabem, ao menos devemos entender o que está acabando junto com elas, para que as possibilidades, no que refere à linguagem, não sejam perdidas também.</p>
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		<title>Fotografias que as digitais (baratas) não fazem</title>
		<link>http://camaraobscura.fot.br/2009/08/09/fotografias-que-as-digitais-baratas-nao-fazem/</link>
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		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 12:36:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo F. Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Equipamento fotográfico]]></category>
		<category><![CDATA[35mm]]></category>
		<category><![CDATA[equipamento]]></category>
		<category><![CDATA[filme x digital]]></category>
		<category><![CDATA[full-frame]]></category>
		<category><![CDATA[profundidade de campo]]></category>
		<category><![CDATA[sensor]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma pessoa pergunta num fórum de fotografia: &#8220;quando teremos uma câmera digital compacta com sensor full-frame&#8221;? Pois é. Câmeras compactas são as digitais mais comuns, pequenas, leves, não trocam lentes e são voltadas ao fotógrafo amador casual. Fotógrafos amadores avançados geralmente usam câmeras reflex, maiores, mais caras e pesadas e que trocam suas objetivas. Uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pessoa pergunta num fórum de fotografia: &#8220;quando teremos uma câmera digital compacta com sensor <em>full-frame&#8221;</em>? Pois é. Câmeras compactas são as digitais mais comuns, pequenas, leves, não trocam lentes e são voltadas ao fotógrafo amador casual. Fotógrafos amadores avançados geralmente usam câmeras <em>reflex</em>, maiores, mais caras e pesadas e que trocam suas objetivas. Uma das maiores diferenças entre as compactas e as <em>reflex</em> é o tamanho do sensor, sendo que as últimas os têm maiores.</p>
<p>Quais as principais implicações de um sensor mais amplo? Primeiro, a qualidade de imagem tende a ser melhor, especialmente em fotos com pouca luminosidade, pois há uma concentração menor dos pixels que captam a luz para formar a fotografia. E o outro, que está mais relacionado à linguagem fotográfica, é que a <a href="http://camaraobscura.fot.br/2007/04/07/profundidade-de-campo/" target="_self">profundidade de campo</a> tende a ser menor, ou seja, é mais mais fácil desfocar o fundo de uma foto, por exemplo.</p>
<p><span id="more-723"></span><a href="http://www.flickr.com/people/savara/"><img title="Conversations - Savara" src="http://farm4.static.flickr.com/3324/3340347735_b521c78f43.jpg" alt="Conversations - Savara" width="500" height="332" /></a></p>
<div class="mceTemp">
<dl class="wp-caption alignnone" style="width: 510px;">
<dd class="wp-caption-dd">Conversations &#8211; Savara</dd>
</dl>
</div>
<p>Nas câmeras de filme, o quadro tem 43mm de diagonal, o que permite uma boa faixa de trabalho com a profundidade de campo usando lentes mais claras. Nas câmeras digitais, apenas os modelos mais caros têm um sensor desse tamanho. Uma das câmeras mais baratas a usar um sensor de 35mm, ou <em>full-frame</em>, é a Canon 5D, que, sem nenhuma lente, sai por US$ 2700. Com lente, o preço sobe para US$ 3500. As <em>reflex </em>abaixo dela usam um sensor chamado APS, com área menor, consequentemente com menor possibilidade de trabalho da profundidade de campo, requerendo lentes de abertura maior para obter o mesmo efeito. As câmeras compactas mais comuns usam sensores ainda menores, praticamente inviabilizando trabalhar com esse aspecto da linguagem. Elas são desenhadas para que quase tudo saia no foco.</p>
<p>Então, para se trabalhar a profundidade de campo na digital como se fazia no filme, é preciso uma câmera caríssima e enorme. Daí o desejo por uma compacta com sensor <em>full-frame</em>, coisa que ainda não existe. Ou seja, para sair na rua com um equipamento pequeno, silencioso e discreto e fazer fotos como as que ilustram esse artigo só é possível ainda, usando câmeras de filme. Que, além de tudo, ainda custam baratíssimo. Uma Canonet com &#8220;sensor&#8221; de 35mm e uma fantástica lente de abertura f/1.7, ou seja, boa e clara, pode ser encontrada por menos de R$ 200. A foto abaixo foi feita com uma Yashica Linx, câmera que custa menos de R$ 100 e conta com uma lente de abertura f/1.4. Uma combinação entre sensor 35mm e uma lente dessa claridade no sistema digital seria absurdamente cara.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 397px"><a href="http://www.flickr.com/photos/thanh_tan/"><img title="Hanoi BW3 - Tony Tran" src="http://farm4.static.flickr.com/3016/2912586192_4c87420a2d.jpg" alt="Hanoi BW3 - Tony Tran" width="387" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Hanoi BW3 - Tony Tran</p></div>
<p>Uma outra questão em relação ao tamanho dos sensores no sistema digital é o fator de <em>crop. </em>Significa que uma lente de 50mm tem um ângulo de visão com um sensor de 35mm e outro, mais estreito, com o sensor APS. Para se ter o mesmo ângulo de visão no APS, a lente precisaria ter outra distância focal, e não se tem uma combinação de lente tão boa, versátil, clara e barata como a objetiva de 50mm com o sensor de 35mm. E em qualquer câmera analógica minimamente razoável essa combinação está presente.</p>
<p>Não quero ser tomado como um defensor do filme. Longe disso, o que me interessa é poder fazer o máximo com o mínimo. A questão é que acho extremamente intrigante que para fazer esse tipo de foto a escolha seja entre o filme, com câmeras pequenas e baratíssimas e o digital, com um trambolho barulhento de cinco mil reais. Algo parece fora de ordem.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/savara/"><img title="Jura - Savara" src="http://farm4.static.flickr.com/3606/3320176122_eb6ea83084.jpg" alt="Jura - Savara" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Jura - Savara</p></div>
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		<title>O Party Shot da Sony: fotografia (totalmente) automática</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 11:08:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo F. Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Equipamento fotográfico]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamos imaginar uma festa de aniversário há 20 anos atrás, em 1989. Convidados, bolo, bebidas e uma câmera fotográfica compacta de plástico. Daquelas com apenas um botão. Funciona com pilhas, tem flash e foco automáticos e está carregada com um rolo de Kodak Gold de 24 poses comprado no supermercado. O anfitrião, animado por registrar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos imaginar uma festa de aniversário há 20 anos atrás, em 1989. Convidados, bolo, bebidas e uma câmera fotográfica compacta de plástico. Daquelas com apenas um botão. Funciona com pilhas, tem flash e foco automáticos e está carregada com um rolo de Kodak Gold de 24 poses comprado no supermercado. O anfitrião, animado por registrar o evento, pega a câmera e pede que todos se reúnam na hora de cortar o bolo. Faz uma foto com todos juntos, uma no momento em que as velas são apagadas e outras ao longo da festa, especialmente dos parentes e amigos que não se vê há algum tempo. Provavelmente, precisará tirar algumas fotos aleatórias no dia seguinte para acabar com o filme e mandar revelar (a câmera só rebobina o rolo quando ele termina).</p>
<p>A fotografia é um ato quase solene. Lança-se mão da câmera apenas nos momentos chave, em que o registro é essencial. A maior parte das pessoa posa para as fotos, já que é indesejável perder um quadro do negativo ou queimar o filme por algum outro motivo. A fotografia é a confirmação do que se passa.<br />
<span id="more-718"></span><br />
<img class="alignnone size-full wp-image-719" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="partyshot4" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2009/08/partyshot4.jpg" alt="partyshot4" width="324" height="268" align="right" />Agora, voltemos para 2009. A Sony anuncia o <a href="http://www.dpreview.com/news/0908/09080600sonypartyshot.asp" target="_blank">Party Shot</a>, um dispositivo que, acoplado a dois possíveis modelos de câmera compacta da mesma marca, a WX1 e a TX1, faz fotos de um ambiente automaticamente. A base gira 360 graus e inclina 24 graus, procurando sorrisos e acertando a composição, fazendo fotos sem que ninguém precise acionar o disparador.</p>
<p>Alguns fotógrafos mais tradicionais vão torcer o nariz para a invenção, já que ela dispensa justamente o operador da câmera. Mas o Party Shot é perfeitamente condizente com o papel da fotografia nos tempos atuais. Muito mais do que um marcador, uma validação de um momento significativo, a fotografia se tornou um ato contínuo, realizada em um ritmo constante para alimentar blogs e redes sociais. Fotografa-se tudo o tempo todo. Nada mais adequado, dentro dessa perspectiva, do que uma câmera que faz isso sozinha. Há vinte anos, talvez nos sentíssemos incomodados com uma câmera nos perseguindo, autonomamente, o tempo todo. Mas hoje não só nos dessensibilizamos com a vigilância constante como nos submetemos a ela com prazer. O próximo passo será um modelo que, além de fotografar automaticamente, enviará as imagens direto para o Facebook.</p>
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		<title>Fotografia amadora e consumo</title>
		<link>http://camaraobscura.fot.br/2009/01/17/fotografia-amadora-e-consumo/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Jan 2009 20:43:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo F. Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Equipamento fotográfico]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é novidade para ninguém que o atual modelo econômico é baseado no consumo. Essa característica vem se acentuando nos últimos cinquenta anos, atrelando o desenvolvimento a níveis cada vez maiores de produção de bens e escoamento desse material. Isso leva a uma necessidade cada vez maior de que os consumidores comprem novos produtos. Existem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é novidade para ninguém que o atual modelo econômico é baseado no consumo. Essa característica vem se acentuando nos últimos cinquenta anos, atrelando o desenvolvimento a níveis cada vez maiores de produção de bens e escoamento desse material. Isso leva a uma necessidade cada vez maior de que os consumidores comprem novos produtos. Existem algumas técnicas empregadas pelos fabricantes para atingir este objetivo.</p>
<p>Uma das formas mais eficazes é a obsolescência programada. Isso significa que um produto é desenhado para durar um determinado período de tempo e, após esse período, quebrar ou parar de funcionar de forma adequada. Isso é bastante comum entre produtos de baixo custo, que quando dão problema compensa mais trocar por um novo do que mandar consertar, por exemplo. Com isso, o consumidor mantém a roda da produção e do escoamento girando. Uma câmera fotográfica simples tende a durar muito menos do que uma câmera profissional, pois é como se você fosse obrigado a arcar com um custo extra para ter um produto que não terá que trocar depois de um tempo. De um jeito ou de outro, depois de um tempo, você acaba gastando uma quantidade semelhante de dinheiro para usar um produto (ou vários com a mesma função) por um determinado período de tempo.</p>
<p>No entanto, a obsolescência programada pode ser arriscada para a empresa, pois o consumidor pode mudar de marca por conta da quebra do produto. A técnica é efetiva quando o período é suficiente para que o consumidor compre outro produto, mas ao mesmo tempo permaneça satisfeito com a marca.</p>
<p>Uma técnica muito mais empregada em equipamentos eletrônicos não é fazer com que os produtos quebrem, mas que pareçam obsoletos, o que é chamado de obsolescência percebida. A maior parte dos fotógrafos não troca de câmera porque o seu equipamento quebra, mas porque acreditam que ele ficou antiquado e não atende mais as suas necessidades. As necessidades, é claro, são criadas pelo próprio mercado que precisa gerar um nível de insatisfação no consumidor suficiente para que ele troque de equipamento, a fim de atender as necessidades que ele não tinha antes. Esse é um processo contínuo, alimentado pelas “inovações” oferecidas pelo fabricante. Sobre esse tema, há no Multiply um <a href="http://ivandealmeida.multiply.com/journal/item/125" target="_blank">ótimo texto do Ivan de Almeida</a>.</p>
<p>Entre o lançamento de duas câmeras topo de linha da Nikon, a F (1959) e a F2 (1971), se passaram 12 anos. Entre as mais recentes topo de linha da mesma marca, a D2X e a D3, se passaram 3 anos. Só um ano separou o lançamento de duas câmeras profissionais da Canon, a 40D e a 50D. Como fazer com que os usuários troquem rapidamente de equipamento para manter esse sistema rodando cada vez mais rápido? Dizendo: você precisa de mais megapixels, mais qualidade, mais resolução, mais botões. Sua câmera já era, mas não se preocupe, pois temos uma nova. É só passar no caixa.</p>
<p>É claro que se olharmos de perto, vamos ver que pouquíssima coisa muda nos produtos e que as tais inovações são meramente cosméticas ou muitas vezes apenas um nome sofisticado. “Processador de quinta geração”, “foco ultrassônico”, “super estabilizador” e por aí vai.</p>
<p>Nesse momento, podemos pensar que não é possível que as pessoas não percebam isso e caiam nessa armadilha. Especialmente na fotografia, que afinal se trata de arte, não de consumo. Então vamos até uma lista de discussão sobre o assunto e argumentamos que as novas tecnologias não são mais que nomes bonitos ou no máximo algo para atender uma necessidade que não temos. A resposta de alguns é de que somos retrógrados, não aceitamos o novo, que as inovações são importantíssimas, fundamentais e que graças aos céus temos fabricantes tão preocupados com o nosso bem-estar. Vemos inclusive que os consumidores defendem com unhas e dentes essas mesmas companhias que os colocam num estado permanente de insatisfação e angústia com o único propósito de manter os seus lucros. E aí temos que admitir que as agências de publicidade fazem um baita de um bom trabalho.</p>
<p>A propaganda é a chave, pois é através dela que o consumo é incentivado. E ela não está apenas nos comerciais. Está nos filmes, nos jornais, nos discursos políticos. Lembro bem das minhas aulas de psicologia do consumidor, em que o truque era bem explicado: você tem que fazer o cara se sentir realmente mal com o que ele tem (mesmo que seja com o que você falou para ele comprar na semana passada), e em seguida mostrar que a solução está no shopping mais próximo. Basta abrir a carteira e levar mais uma caixa pra casa e você se sentirá ótimo. Pelo menos por meia-hora (ou até inventarem mais uma necessidade). E a coisa funciona muito bem.</p>
<p>Quando dei aulas de marketing numa escola técnica, lembro das definições dos livros: marketing é atender as necessidades dos consumidores com a geração de lucro. Eu não sabia exatamente por quê, mas aquilo não parecia se encaixar muito bem. Que necessidades são essas? De onde vêm? E o lucro? Pode ser criado infinitamente? Logo em seguida, já havia uma defesa dos marketeiros, dizendo que eles não criavam necessidades, apenas atendiam os anseios genuínos das pessoas. Dá quase para verter uma lágrima frente a tanta nobreza. Mas aí, lembramos: eles são publicitários! Fazer propaganda positiva da própria publicidade faz parte do negócio.</p>
<p>Nem é preciso dizer que esse modelo não é viável por conta da finitude dos recursos naturais do planeta (se você ainda não viu, confira o vídeo <a href="http://video.google.com/videoplay?docid=-3412294239230716755" target="_blank">A História das Coisas</a>). Além disso, provoca um impacto social fortíssimo em comunidades menos favorecidas, para bancar uma produção que é sustentada pela constante insatisfação e infelicidade das pessoas.</p>
<p>Mas será que todo esse modelo é compatível com a produção artística — em um nível pessoal, não mercadológico, ou cairemos no mesmo esquema — na qual a fotografia amadora séria está inserida? O que percebo, no entanto, é cada vez menos essa fotografia como expressão de ideias, sentimentos, estética e criação e cada vez mais como uma expressão desse consumismo. É preciso justificar para si mesmo o consumo, e quando o consumo é de equipamento fotográfico, é preciso fotografar. E, de preferência, de uma forma que seja convincente de que todo o gasto (sem o falso eufemismo de chamar isso de investimento) com esse material se justifica por fotos melhores. Fotografo uma textura para mostrar como a resolução da minha máquina é boa, um objeto em movimento para justificar a lente com foco ultrassônico, um pássaro preto à meia noite para ver como o ISO alto funciona e por aí vai. Ou seja, esse modelo é tão vicioso (embora incrivelmente eficiente) que ele contamina até mesmo a forma de fotografra, que deveria estar relacionada apenas à expressão livre e pura da alma do fotógrafo.</p>
<p>Não é fácil fugir disso, já que estamos envoltos totalmente por essa forma de fazer as coisas funcionarem. Mas podemos ao menos ser um pouco mais conscientes. Não aceite que uma propaganda diga qual é a sua necessidade, descubra você mesmo o que de fato você precisa. Não seja ingênuo a ponto de defender um fabricante, a única coisa que o move é o lucro, e fazer você acreditar que ele se preocupa com você é apenas mais uma forma de continuar obtendo esse lucro. Faça sua fotografia valer pelo conteúdo. Uma boa fotografia não depende de quinhentos megapixels nem de focos ultrassônicos, depende de alguém que use a câmera (seja ela qual for, é o que menos importa) com paixão, com vontade de dizer algo, de mostrar ao mundo qual é o seu ponto de vista. Com isso, você garante que ao menos a <em>sua</em> fotografia será um pouco mais livre.</p>
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		<item>
		<title>Câmeras telemétricas (rangefinders)</title>
		<link>http://camaraobscura.fot.br/2008/12/24/cameras-telemetricas-rangefinders/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 16:24:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo F. Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Equipamento fotográfico]]></category>

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		<description><![CDATA[Os dois principais sistemas de câmeras fotográficas, reflex e rangefinder (ou telemétricas), surgiram mais ou menos na mesma época, os anos 30 do século passado. Esses dois tipos de máquinas conviveram por cerca de 40 anos, até que as reflex assumiram definitvamente o porte de equipamento profissional e as telemétricas perderam as suas características para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os dois principais sistemas de câmeras fotográficas, <em>reflex </em>e <em>rangefinder </em>(ou telemétricas), surgiram mais ou menos na mesma época, os anos 30 do século passado. Esses dois tipos de máquinas conviveram por cerca de 40 anos, até que as reflex assumiram definitvamente o porte de equipamento profissional e as telemétricas perderam as suas características para dar lugar às compactas baratas utilizadas pela maior parte dos amadores. Ainda assim, fotógrafos renomados como Sebastião Salgado e Ralph Gibson continuam a usar esse sistema, notadamente as câmeras Leica, de altíssima qualidade e tradição. O que há, então, nessas câmeras que não permitiram que caíssem no ostracismo, carregando ainda uma legião de admiradores?</p>
<p>As câmeras reflex dominaram o mercado de amadores avançados e profissionais por resolverem muito bem três problemas técnicos da fotografia: o foco, a medição de luz e o erro de paralaxe. Ao colocar no visor, através de um espelho móvel, exatamente a imagem que vai sair na foto, permitindo ao usuário visualizar o enquadramento com precisão, o foco e a profunidade de campo, além de medir a luz não do ambiente, mas a que passa pela objetiva e efetivamente sensibilizará o filme ou sensor, esses equipamentos criaram uma maneira prática, intuitiva e eficiente de fazer fotos. As reflex logo vão completar 100 anos e ainda são o modelo para as modernas câmeras digitais de alta performance.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/jimmysmith/114592848/"><img title="Fed 2" src="http://farm1.static.flickr.com/43/114592848_9ba604263a.jpg" alt="Fed 2 rangefinder camera - Jimmy Smith" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Fed 2 - Jimmy Smith</p></div>
<p>Já as câmeras telemétricas solucionavam o problema do foco de uma maneira menos prática. <em>Rangefinder</em> significa medidor de distância e se traduz por telêmetro, que é um dispositivo óptico que serve para verificar a distância entre o aparelho e um determinado ponto, sendo utilizado para muitas aplicações, como a topografia. Ele foi acoplado às câmeras fotográficas para que fosse possível, de forma fácil, verificar a distância entre a câmera e o objeto fotografado. Essa distância era lida no telêmtro e transferida para o anel de foco da objetiva utilizada. Em câmeras mais modernas, o telêmetro foi integrado ao sistema de foco, sendo que, ao utilizá-lo, a câmera era automaticamente ajustada para focalizar naquela distância. O esquema abaixo demonstra o seu funcionamento.</p>
<div id="attachment_364" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-364" title="Rangefinder esquema" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2008/12/rangefindert.gif" alt="Esquema de funcionamento de câmera rangefinder - Tati Schilaro" width="600" height="432" /><p class="wp-caption-text">Esquema de funcionamento de câmera telemétrica - Tati Schilaro</p></div>
<p>Uma câmera telemétrica tem um visor, pelo qual se compõe a foto. No visor, há a sobreposição das imagens vindas de duas janelas (1 e 2). A imagem da janela 2 passa por um sistema de prismas e espelhos que projeta, no centro do quadro, uma parte da imagem sobreposta à que vem da janela 1. O foco é ajustado fazendo com que as duas imagens coincidam. Quanto maior a distância entre a janela 1 e 2, mais preciso será o foco.</p>
<div id="attachment_367" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-367" title="Rangefinder fora de foco" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2008/12/rangefoco1.jpg" alt="Simulação de imagem fora de foco no visor de uma rangefinder" width="600" height="401" /><p class="wp-caption-text">Simulação de imagem fora de foco no visor de uma telemétrica</p></div>
<div id="attachment_366" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-366" title="Rangefinder em foco" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2008/12/rangefoco2.jpg" alt="Simulação de imagem no foco em câmera rangefinder" width="600" height="401" /><p class="wp-caption-text">Simulação de imagem no foco em câmera telemétrica</p></div>
<p>No esquema apresentado, os traços vermelhos representam a luz que passa pela objetiva e sensibilizará o filme ou sensor, ou seja, mostra a captura que a câmera faz para efetivamente gerar a foto. Percebe-se que ela não corresponde ao que é visto pelo visor, fazendo com que às vezes o que é visto não corresponda exatamente ao que sai na foto. Este problema, mais freqüente quando o assunto está próximo da câmera, é chamado de erro de paralaxe. Algumas câmeras mais modernas apresentam um reticulado móvel, que se move junto com o sistema de foco, para tentar corrigir esse problema e permitir um enquadramento preciso.</p>
<p>O terceiro problema das telemétricas era a medição da luz. A maior parte das câmeras de meados do século 20 ou não tinha um fotômetro, obrigado o fotógrafo a usar um aparelho externo de medição ou tabelas, ou tinham um fotômetro acoplado. Alguns utilizavam células de selênio. As Contax e Kiev, por exemplo, tinham um fotômetro que indicava a exposição correta por uma agulha. Esse valor indicado precisava ser transportado para a câmera manualmente. Câmeras mais modernas colocaram um fotômetro integrado, inclusive controlando a exposição automaticamente. No entanto, apenas as mais recentes apresentam medição TTL (ou <em>through the lens</em>), que usam a luz que passa pela própria objetiva para determinar o valor de exposição.</p>
<div id="attachment_373" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-373" title="Kiev 4 meter" src="http://camaraobscura.fot.br/wp-content/uploads/2008/12/24122008104.jpg" alt="Fotômetro acoplado em uma Kiev 4" width="500" height="333" /><p class="wp-caption-text">Fotômetro acoplado em uma Kiev 4</p></div>
<p>As telemétricas se dividiram em dois grandes grupos: as com objetivas intercambiáveis, como as Leica, Contax, Canon e Nikon, de ótima qualidade de construção e preços mais altos; e as com objetivas fixas, mais baratas e chamadas de Leica dos pobres, como as Minolta Hi-Matic, as Olympus 35 SP e as celebradas Canonet. Estas últimas, no seu modelo mais avançado, o QL17 GIII, são consideradas ótimas no custo-benefício, pois possuem lentes claras (40mm e f/1.7) e nítidas, exposição automática (priorodade de velocidade) com opção de controle manual e correção de paralaxe.</p>
<p>Embora todos os modelos sobre os quais falei são de filme 35mm, há câmeras telemétricas em outros formatos, como o médio. A Mamiya 7 é um exemplo de telemétrica que usa filme 120. E, embora seus tempos áureos tenham ficado para trás, há telemétricas digitais, como a Epson R1 e a Leica M8, que pode usar toda a gama de objetivas de alta qualidade projetadas ao longo de toda a série M da fábrica alemã.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/sotome/1397511642/"><img title="Leica M8" src="http://farm2.static.flickr.com/1161/1397511642_58b5e35180.jpg" alt="Leica M8 - Takuhito Sotome" width="500" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Leica M8 - Takuhito Sotome</p></div>
<p>Mas qual o motivo pelo qual as telemétricas conseguiram enfrentar de frente as reflex, ganhando preferência de muitos amadores e fotógrafos consagrados, e conseguem se manter vivas até a era digital? Provavelmente um dos principais motivos está no seu tamanho e discrição. Por não contarem com o espelho móvel das câmeras reflex, elas são menores e fazem muito menos barulho. As objetivas ficam mais perto do plano do sensor ou do filme, permitindo menor profundidade e qualidade óptica invejável. São certamente menos agressivas do que as câmeras do outro sistema, permitindo uma fotografia mais humana, menos invasiva. Não é a toa que Bresson fazia suas fotografias de rua com uma Leica.</p>
<p>Tenho duas telemétricas: uma Kiev 4 de 1960, cópia russa das Contax alemãs, com uma ótima lente Jupiter-8 (50mm f/2) e uma Canonet QL17 GIII. Câmeras como esses hoje são encontradas a preço de banana em sites como o eBay. Acho que vale a pena, para quem gosta de fotografia, experimentar a forma discreta, silenciosa e intimista das telemétricas, até por conta da altíssima qualidade das fotos que a maior parte delas proporciona. É mais uma forma de perceber, por conta própria, como diferentes equipamentos não são melhores ou piores, mas apenas possuem linguagens diferentes. E como uma imagem vale mais do que mil palavras, seguem algumas fotos feitas com telemétricas.</p>
<p style="text-align: center;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/vikz/2709239332/"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3292/2709239332_f76eb55f7e.jpg" alt="Fiky Hatta - Leica M7 - Ilford Delta 100" width="500" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Fiky Hatta - Leica M7 - Ilford Delta 100</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/31128335@N00/776652074/"><img title="Sam A - Voigtlander Bessa 2 - Fujifilm Neopan 1600" src="http://farm2.static.flickr.com/1233/776652074_ca800ebc27.jpg" alt="" width="500" height="321" /></a><p class="wp-caption-text">Sam A - Voigtlander Bessa 2 - Fujifilm Neopan 1600</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 381px"><em><a href="http://www.flickr.com/photos/smashcut/3084743082/"><img title="Michael Pick - Epson RD-1" src="http://farm4.static.flickr.com/3292/3084743082_37a8d37c0c.jpg" alt="Michael Pick - Epson RD-1" width="371" height="500" /></a></em><p class="wp-caption-text">Michael Pick - Epson RD-1</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/smallape/299480021/"><img title="Brian Liloia - Olympus XA" src="http://farm1.static.flickr.com/108/299480021_d3309356cb.jpg" alt="Brian Liloia - Olympus XA" width="500" height="339" /></a><p class="wp-caption-text">Brian Liloia - Olympus XA</p></div>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/emoneytg/2622927505/"><img title="Erik Gustafson - Yashica Electro 35 GSN - Kodak BW400CN" src="http://farm3.static.flickr.com/2214/2622927505_a37d5cd6d8.jpg" alt="Erik Gustafson - Yashica Electro 35 GSN - Kodak BW400CN" width="500" height="337" /></a><p class="wp-caption-text">Erik Gustafson - Yashica Electro 35 GSN - Kodak BW400CN</p></div>
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		<title>Impressão de fotos em impressora doméstica com bulk ink</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 12:43:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo F. Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Equipamento fotográfico]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente, diminuí a quantidade de fotos próprias postadas na internet, tanto em galerias como o Flickr como em fóruns e outros espaços. Concomitantemente, passei a ampliar uma quantidade maior de fotos. Meu formato preferido é o 15&#215;21, um tamanho razoável mas que ainda é fácil de transportar e manipular. Para fotos mais importantes ou para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, diminuí a quantidade de fotos próprias postadas na internet, tanto em galerias como o Flickr como em fóruns e outros espaços. Concomitantemente, passei a ampliar uma quantidade maior de fotos. Meu formato preferido é o 15&#215;21, um tamanho razoável mas que ainda é fácil de transportar e manipular. Para fotos mais importantes ou para montagens em molduras e painéis, uso o 20&#215;30. Para isso, costumava usar o serviço de um laboratório para o qual enviava minhas fotos pela Internet e as recebia de volta pelo correio.</p>
<p>Embora a cópia em papel fotográfico feita em minilab tenha resultado satisfatório em relação à resolução da imagem, esse processo tem alguns inconvenientes. O primeiro — e mais importante para mim — é a falta de controle no processo. Por mais que os bons laboratórios aceitem as solicitações para não alterar as imagens no que se refere às cores, contraste ou cortes, muitas vezes a própria calibração da máquina já leva a um resultado diferente do esperado. O segundo é o tempo que se tem para receber as fotos, ou a necessidade de levá-las e buscá-las fisicamente na loja. E o terceiro é o custo: ainda que pequeno quando consideramos quantidades reduzidas, pode se tornar alto quando fazemos da ampliação uma rotina. Para efeitos de comparação, podemos ter em mente o preço de um laboratório bom e barato: R$ 1,60 para a cópia em 20&#215;30 e R$ 4,00 para uma ampliação em 20&#215;30.</p>
<p>Nunca tinha pensado em imprimir fotos na minha multifuncional Epson CX4900, um modelo já velhinho, com quatro cartuchos (ciano, magenta, amarelo e preto), até que um amigo me enviou pelo correio algumas de suas fotos, impressa uma Epson da mesma geração. Os resultados eram surpreendentes em termos de resolução e bastante vívidos no contraste e nas cores. Resolvi fazer o teste. Comprei algumas folhas de papel especial para impressão em alta resolução (que é chamado de papel fotográfico para impressoras jato de tinta) e mandei alguns arquivos digitais para a multifuncional. Mesmo sem nenhum tipo de calibração, as impressões me surpreenderam. Boa nitidez, cores e contrastes ótimos. E o melhor de tudo, sem ter ninguém interferindo no meu processo: fotos feitas diretas de arquivos Tiff de 16bits geradas a partir de RAW. Nada de compressão de JPEG pelo caminho.</p>
<p>Rapidamente fiz mais de 10 fotos em folhas A4, que é quase o tamanho de uma cópia em 20&#215;30. O software que vem com a impressora permite escolher o perfil de cor ou selecionar simplesmente o modo Adobe RGB para calibração das cores. Tentei algumas fotos PB, que saíram um pouco colorizadas. Usei uma opção de usar apenas tinta preta, que resolveu a questão da cor, mas gerou fotos muito escuras. Foi preciso alguns ajustes e algum tempo até acertar o nível de contraste que levava a impressões mais fidedignas. Felizmente é possível ajustar níveis de brilho, contraste e de cada cor da impressora individualmente e salvar os resultados dentro do seu próprio programa. Todo esse processo pode ser um pouco frustrante, mas de forma geral é divertido, pois passamos a buscar o resultado quase de forma alquímica. É quase a mesma satisfação de ampliar quimicamente as próprias fotos e conferir o resultado surgindo no papel.</p>
<p>Mas, quando conseguimos obter a qualidade desejada na impressão, surge a questão dos cartuchos. Esses da Epson tem apenas 7ml de tinta e, como é possível imaginar, não agüentam muitas folhas A4 cobertas de tinta em qualidade máxima. E com cada cartucho custando cerca de R$ 25, esse sistema não seria muito econômico, além de pouco prático. Passei então a pesquisar formas alternativas.</p>
<p>Um sistema de tinta contínua (continuous ink system), também chamado de bulk ink, parecia ser a solução para os meus problemas. Pesquisei e comprei um desses industralizados, com chips que enganam a impressora e apontam estar cheios independentemente da quantidade de tinta nos cartuchos. Os recipientes não têm as esponjas dos originais e são alimentados continuamente pelos reservatórios que ficam ao lado do equipamento, através de mangueiras de silicone. A instalação foi um pouco suja, e a parte de puxar a tinta para os cartuchos com a seringa, com cuidado para evitar a entrada de ar é a mais complicada.</p>
<p><img src="http://img210.imageshack.us/img210/4031/imgp4085jx7.jpg" alt="Image Hosted by ImageShack.us" /><br />
<em>Impressora com bulk ink instalado</em></p>
<p>Logo depois de instalado, o sistema parece falho: as impressões não saem 100% e aquele teste de impressão de linhas para verificar a necessidade de limpeza não fica bom, por mais que se faça o procedimento de limpeza das cabeças. Após um ou dois dias e algumas impressões depois, a coisa fica muito boa. Imagens perfeitas e sem falhas. Parece que é preciso de algum tempo para a tinta “assentar” ou para algum resquício de ar ser eliminado.</p>
<p>No entanto, para a impressão de fotos, há dois aspectos importantes com os quais a preocupação é contínua: a tinta e o papel. Há dois tipos de tinta, a corante e a pigmentada. A corante tem cores mais vivas, mas diz-se que desbotam com o tempo. Fala-se que a pigmentada é mais resistente, mas pode entupir as cabeças de impressão. Em ambos os casos, há fabricantes afirmando que suas tintas corantes não apagam com o tempo e suas pigmentadas são finas o suficiente para não causa entupimentos. Minha experiência não permite dizer se isso são mitos ou verdades. Estou usando tinta corante Formulabs, que é uma das marcas com maior referência de qualidade. É importante que o fornecedor seja idôneo e de fato entregue a tinta que promete. Desconfie de preços muito baixos.</p>
<p>O papel também é fundamental. Há diversos tipos e qualidades, de forma que o uso pode determinar qual tipo comprar. A gramatura é um ponto importante: quanto maior, mais denso é o papel, portanto mais firme e geralmente mais espesso. Geralmente há as opções de glossy (brilhante) e matte (fosco), mas esse último é diferente do fosco que estamos acostumados em laboratório, que se assemelharia mais ao semi-glossy para impressão em jato de tinta. Há outros com texturas e acabamentos especiais, como o canvas. Há material desenhado especialmente para fine art e portanto com valor compatível. Eu optei, para o uso diário, pelo Studiolab 270 g/m² e acabamento semi-glossy. O custo é relativamente baixo (R$ 1,45 por folha A4) e a qualidade é boa, recebendo bem a tinta. Papéis mais baratos dão a impressão da tinta estar depositada em blocos sobre o papel, enquanto nesse a tinta parece estar incorporada, parecida com uma fotografia por processo químico.</p>
<p><img src="http://img380.imageshack.us/img380/5128/imgp4019rb9.jpg" alt="Image Hosted by ImageShack.us" /><br />
<em>Fotos 15&#215;21 impressas com o sistema</em></p>
<p>Considerando que 400ml de tinta saem por R$ 40 (enquanto um cartucho original sai por R$ 25, com 7ml) e se estimarmos, bem por alto, que com isso dá pra fazer pelo menos umas 100 fotos (embora deva ser bem mais), podemos estabelecer um custo de R$ 0,40 por impressão. Ou seja, temos um gasto de R$ 1,85 por foto A4 em qualidade máxima, contra R$ 4,00 de uma ampliação 20&#215;30 no laboratório. Tenho feito também muitas impressões em 15&#215;21, colocando duas fotos em uma mesma folha A4 e depois refilando com estilete. O custo, nesse caso, é de no máximo R$ 0,92 por impressão.</p>
<p>Quando se altera o papel ou a tinta, pode ser necessário refazer o acerto de cores e de contraste, de forma que é interessante salvar as preferências de acordo com os tipos de insumo utilizados para não perder tempo a cada mudança. O ideal é manter o mesmo tipo de papel e o mesmo fornecedor de tinta para não se preocupar com isso.</p>
<p>É importante ressaltar, no entanto, que na Internet há muitos relatos de pessoas que não se deram bem com o sistema. Impressões de baixa qualidade, problemas nas cabeças de impressão e até mesmo inutilização dos equipamentos. O bulk ink invalida a garantia da impressora, então é melhor instalar apenas após o período coberto pelo fabricante. Há algumas empresas que fazem a instalação do sistema e dão garantia do mesmo, o que pode ser uma boa alternativa para quem quer diminuir os riscos.</p>
<p>A conclusão é de que a impressão caseira, mesmo em impressoras simples, atinge um nível de qualidade suficiente para a maior parte das aplicações. Tenho pensado que as fotos devem ser objetos e não permanecer apenas na tela do computador, como fotos “fantasma”. Essa experiência muda a concepção que temos sobre a própria produção, pois só uma foto viva, em suporte físico de tamanho razoável permite dizer se de fato o que estamos fazendo é bom ou não. E o sistema de tinta contínua é um ótimo caminho para que isso possa ser feito rotineiramente sem a preocupação com os gastos com tintas originais. A qualidade pode ser ainda maior com modelos mais novos e robustos de impressora, que empregam 6, 8 ou até mais cartuchos. A fotografia digital permitiu que o fotógrafo assumisse grande controle sobre as suas obras, e a última parte do processo, a impressão, também pode também fazer parte do seu fluxo de trabalho, propiciando a cada foto um sentido de autoria ainda maior.</p>
<p>Agradeço aos amigos <a title="Ivan de Almeida" href="http://br.groups.yahoo.com/group/fotografiaempalavras/" target="_blank">Ivan de Almeida</a> e <a title="Fernando Aznar" href="http://feaznar.multiply.com" target="_blank">Fernando Aznar</a> pelas dicas e conversas sobre o assunto durante as últimas semanas.</p>
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