Fotografia: o que é importante?

Como acontece com a maior parte dos assuntos, discute-se muito sobre aspectos da fotografia que não são importantes. Foca-se em questões que influenciam muito pouco os resultados e o significado da fotografia para cada pessoa que a tem como paixão ou modo de vida. A partir dos tópicos criados em uma comunidade de discussão de fotografia, elaborei uma pequenas lista de coisas “desimportantes” para nos ajudar a pensar o que fazemos com o pouco tempo que nos é dado e que usamos nessa atividade que para nós é tão especial, seguida por uma lista do que é, para mim, o mais relevante.

O que não importa:

1. Se você usa digital ou filme

2. Quantos megapixels tem sua câmera

3. A camera que você não tem

4. A marca da câmera

5. Como você opera sua câmera

6. Quantas fotos você faz por día

7. Se você fotografa em RAW ou JPEG

8. Se você trata ou não suas fotos

9. Se você usa flash ou não

10. A opinião de desconhecidos

11. A forma como dizem que você deve ou não fotografar

12. Os grandes fotógrafos em que dizem que você deveria se inspirar

13. Os modelos da publicidade ou do jornalismo

14. Fotografar primeiro e viver depois


Allen Armstrong

O que importa (e são poucas as coisas que realmente importam):

1. Qual o significado da fotografia na sua vida

2. O que você espera conseguir através de suas fotos

3. A câmera que você tem

4. A opinião de pessoas relevantes na sua vida (ou dos seus clientes)

5. Os modelos que você elegeu por conta própria

6. Viver primeiro e fotografar depois

Se a fotografia assume um caráter autoritário, em ficamos em função dela para turbinar as redes sociais, em agradar aos outros ou em fotografar tudo que vemos pela frente, provavelmente estamos nos perdendo em uma atividade que não nos trará satisfação ou, no máximo, trará uma satisfação muito breve. A fotografia amadora só faz sentido se nos trouxer significado através do prazer de fotografar, da satisfação ao ser uma forma de expressão pessoal, de criação artística, mas ao mesmo tempo em que não se torna uma obsessão que impede de ver e viver o mundo com os nossos próprios olhos.

Um comentário sobre “Fotografia: o que é importante?

  1. Tenho percebido a sua insistência nesse assunto (fotografia amadora pela fotografia amadora), o que é louvável. Eu não tenho paciência para discutir quando alguém vem com aquelas velhas questões de sempre.

    Só gostaria de observar que, no caso das questões técnicas, perguntá-las ou querer respondê-las não é, na minha opinião, ruim. O problema é quando elas passam de coadjuvantes do processo fotográfico para protagonistas.

  2. O Caetano veloso tem uma frase: “Fulano não gosta de tal coisa “da forma certa”. Ou seja, gosta, mas da forma errada, por motivos errados.

    Fotografia é um artesanato, não é um ato puramente mental, então quase todas essas coisas importam no sentido de definirem a nossa produção. Nós escolhemos tal ou qual lente porque queremos tal ou qual resultado (ou porque ele é afim conosco). Escolhemos RAW ou JPEG porque precisamos da capacidade de expressão de um ou da agilidade do outro, e por aí vai. Essas escolhas importam sim, mas importam desde que “gostemos delas da maneira certa”, qual seja, elas em função do que desejamos fazer.

    É preciso cuidado para não induzir a idéia de fotografia como coisa puramente mental/subjetiva, porque despida de seu artesanato, o qual tem um fazer apoiado em técnicas e ferramentas como qualquer artesanato, deixa de ser fotografia.

  3. Obrigado pelos comentários. Quando escrevo, às vezes sou um pouco mais incisivo em certos pontos em que o contraponto enfático talvez seja necessário para se equilibrar com as informações que geralmente se têm, como a questão do consumismo, da supervalorização do equipamento ou da linguagem publicitária.

    Permito-me colocar as ideias dessa forma porque confio muito no bom senso dos leitores e estou certo de que saberão filtrar o que lhes é importante através da experimentação, e não pelo seguimento cego. Ainda assim, os poréns e senões que recebo através dos comentários são muito importantes para que a necessidade desse equilíbrio fique clara – motivo pelo qual, inclusive, eu raramente replico as opiniões postadas por aqui, que vejo como tão válidas quanto as minhas.

  4. Interessante! Quando li a primeira lista, não vi como itens irrelevantes. Minha leitura de “coisas desimportantes” caiu no aspecto prioritário mesmo. Claro que é necessário saber fazer as escolhas, inclusive dos equipamentos e técnicas. O que eu vi foi que essas escolhas são secundárias à lista seguinte; ou seja, são definidas pelo que é realmente importante.

    Saberei escolher o tipo de lente, o uso do flash ou o formato do arquivo quando souber o que quero da minha fotografia, o que quero que vejam nela.

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