O Party Shot da Sony: fotografia (totalmente) automática

Vamos imaginar uma festa de aniversário há 20 anos atrás, em 1989. Convidados, bolo, bebidas e uma câmera fotográfica compacta de plástico. Daquelas com apenas um botão. Funciona com pilhas, tem flash e foco automáticos e está carregada com um rolo de Kodak Gold de 24 poses comprado no supermercado. O anfitrião, animado por registrar o evento, pega a câmera e pede que todos se reúnam na hora de cortar o bolo. Faz uma foto com todos juntos, uma no momento em que as velas são apagadas e outras ao longo da festa, especialmente dos parentes e amigos que não se vê há algum tempo. Provavelmente, precisará tirar algumas fotos aleatórias no dia seguinte para acabar com o filme e mandar revelar (a câmera só rebobina o rolo quando ele termina).

A fotografia é um ato quase solene. Lança-se mão da câmera apenas nos momentos chave, em que o registro é essencial. A maior parte das pessoa posa para as fotos, já que é indesejável perder um quadro do negativo ou queimar o filme por algum outro motivo. A fotografia é a confirmação do que se passa.

partyshot4Agora, voltemos para 2009. A Sony anuncia o Party Shot, um dispositivo que, acoplado a dois possíveis modelos de câmera compacta da mesma marca, a WX1 e a TX1, faz fotos de um ambiente automaticamente. A base gira 360 graus e inclina 24 graus, procurando sorrisos e acertando a composição, fazendo fotos sem que ninguém precise acionar o disparador.

Alguns fotógrafos mais tradicionais vão torcer o nariz para a invenção, já que ela dispensa justamente o operador da câmera. Mas o Party Shot é perfeitamente condizente com o papel da fotografia nos tempos atuais. Muito mais do que um marcador, uma validação de um momento significativo, a fotografia se tornou um ato contínuo, realizada em um ritmo constante para alimentar blogs e redes sociais. Fotografa-se tudo o tempo todo. Nada mais adequado, dentro dessa perspectiva, do que uma câmera que faz isso sozinha. Há vinte anos, talvez nos sentíssemos incomodados com uma câmera nos perseguindo, autonomamente, o tempo todo. Mas hoje não só nos dessensibilizamos com a vigilância constante como nos submetemos a ela com prazer. O próximo passo será um modelo que, além de fotografar automaticamente, enviará as imagens direto para o Facebook.

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